Série retrata a vida de pessoas que nasceram no mesmo dia


Quando falo de simplicidade me refiro a sentimentos, questões pessoais e dilemas que poderiam ser encontrados em qualquer família. O que encanta em “This is Us” é a despretensão de ser uma grande produção, e ainda sim conseguir isso.

A série acompanha a história de  Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca (Mandy Moore), que vai de encontro à trajetória de Kevin (Justin Hartley), Kate (Chrissy Metz) e Randall (Sterling K. Brown), nascidos no mesmo dia, mas em circunstâncias bem inesperadas. É só o que posso adiantar, e sugiro que não procurem saber mais, já que a surpresa dessa relação é um dos grandes pontos fortes da série no primeiro momento.

Com cenas que mesclam passado e presente o tempo todo, vamos conhecendo a história dos personagens e nos apaixonando por elas. A série não impõe a velha batalha entre vilões e mocinhos, apenas cria desfechos a partir das escolhas de cada um e suas consequências.

Os diálogos são bem humorados e emocionam, e o maior mérito é a criação de um drama leve, sem clichês “piegas”. Cada personagem tem suas qualidades e defeitos, assim como qualquer ser humano real, e o bacana é perceber como as histórias vão se entrelaçando, de modo a não se perder no contexto.

Nenhum vírus mortal se abateu sobre a cidade de Nova York, nem há mistérios policiais a resolver ou desastres naturais. Os dramas aqui são entre seres humanos, suas lembranças, relações familiares e conflitos internos.

A série poderia se limitar a uma comédia rasa, mas decide aprofundar cada personagem e fugir de caricaturas, tornando-se um drama emocionante, mas leve, que distribui nuances que não duvidam da capacidade do público de interpretá-los.

A produção acerta na identificação, nos pequenos e grandes gestos e é impossível não se envolver ao longo da trama.

Com 91% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma audiência superior a 10 milhões de telespectadores no episódio piloto, This Is Us foi lançada no ano passado, e já foi renovada pela NBC.