Série agrada fãs sem perder originalidade


Quem já teve a oportunidade de assistir ao grande clássico de Hitchcok, certamente ficou imaginando como teria sido a juventude do perturbado Norman Bates, rapaz gentil e educado que esconde um lado sombrio e violento.

Bates Motel surge como uma grande explicativa do universo vivido por Norman, e sua relação intensa com a mãe.
A série é marcada desde o início pela trajetória triste de Norma, uma mulher vítima, desde muito pequena de situações abusivas, infância traumatizante, relacionamentos marcados pela violência, mas que mesmo assim irradia delicadeza e uma beleza muito particular.
 
Vera Farmiga rouba a cena toda vez que aparece e Freddie Highmore esbanja talento a cada movimento de Norman.

 O hotel é uma ótima projeção do cenário que vemos em Psicose, e a casa vai se tornando testemunha de todas as loucuras a qual a família precisa enfrentar.

Os episódios vão reforçando a cada temporada, a necessidade de Norma de proteger o filho e tê-lo como apoio, explicando essa relação que existe entre eles, que acaba impedindo que a mãe, apesar de ter conhecimento dos problemas do filho e das tragédias que surgem como consequência, não consiga tomar uma atitude mais firme.
Os personagens secundários também levantam a série, com destaque para Emma Decody (Olivia Cooke), Dylan Massett (Max Thieriot) e o xerife Alex Romero (Nestor Carbonell), que principalmente na reta final da série vai ganhando o público com seu jeito sério e protetor.

 A série não perde o fôlego, e a cada reviravolta enxergamos um Norman cada vez mais paranoico e possuído pela identidade que ele criou.
Com a série se caminhando para a última temporada, já sabíamos da morte de Norma, (o que não é nenhum spoiler quando conhecemos o filme original), mas não imaginávamos de que forma poderia acontecer. A série foi corajosa ao criar os desfechos seguintes, mostrando que o propósito não seria imitar o clássico, e sim adaptá-lo.

A forma como Norman passou a viver na casa trazia sensação de desconforto e solidão também a quem assistia, e as cenas entre ele e sua dupla personalidade foram muito bem retratadas do início ao fim.Novos personagens cruzaram o caminho de Norman, e a aparência de Madeleine Loomis (Isabelle McNally) foi outra grande sacada, reforçando ainda mais a obsessão pela mãe e motivando o encantamento dele pela garota.

A participação de Rihanna como Marion Crane foi surpreendente e mais um ponto positivo para a série, que trilhou o seu próprio caminho, arriscando-se mais uma vez por modificar uma cena clássica.

 Diferente do filme, a história não acaba com o episódio de Marion, já que muitas dúvidas ainda pairavam no ar, e os autores precisaram rebolar para encontrar o destino final dos personagens.

O final chegou, sombrio, triste, porém fiel a tudo o que a série propôs, provando que uma boa história sempre pode ser recontada.