Dissertando: APP de Relacionamento/Pegação

Já falamos sobre nossas ‘nudes’, Sasha Fierce, Drag Queen e agora vamos tratar de um assunto um tanto íntimo porém muito polêmico. A internet nos trouxe muitas ferramentas e entre elas estão os aplicativos de relacionamentos vulgo pegação. A probabilidade de você já ter ouvido falar sobre Tinder, Hornet, Hppn, Grindr, Scruff, Badoo entre outros é muito grande.

Os ‘apps’ facilitam muito nossa comunicação entre as pessoas que estão ao nosso redor, além de nos dar a chance de conhecer pessoas novas e diferentes. Eles mostram a distância, alguns escondem fotos íntimas secretas e até quantas vezes você ‘cruzou’ na rua com a pessoa. De amizade até casamento os apps são padrinhos de várias situações. Do relacionamento virtual para algo mais físico encontramos diversas diferenças de opiniões e resolvemos dividir com vocês algumas delas. Se liga nas entrevistas que fizemos com casais, usuários que gostam e que não gostam desses aplicativos para entendermos o que acontece em algumas situações que o aplicativo proporciona.

CASAL 1 – Cleverson Amadei e Tod Se conheceram no Scruff e estão noivos. / INSTAGRAM @cleversonamadei

  1. Você usou o aplicativo com pensamento de encontrar alguém que pudesse ser especial?

Cleverson: “Eu tinha acabado de sair de um relacionamento longo, então baixei o app sem intenção de encontrar alguém, queria mesmo fazer amizades e conhecer pessoas para curtição apenas.”

  1. Como foi o encontro de vocês no aplicativo?

Cleverson: “Quase um mês conhecendo pessoas nos apps vi o perfil dele, ele não era assumido então não tinha foto de rosto,  mas o perfil dele me chamou muito a atenção,  os gostos, a descrição,  as preferências e resolvi puxar papo para ver o q podia rolar, ele me respondeu e ficamos conversando umas duas semanas pelo app por ele não ser assumido não queria se identificar, até q um dia ele resolveu passar o WhatsApp dele e aí pude vê-lo pela primeira vez em uma foto (…)”

  1. Depois de quanto tempo vocês decidiram marcar um encontro?

Cleverson: “(…) nisso eu queria encontrar ele logo pessoalmente mas ele não quis haha, ficamos mais um mês e meio conversando pelo WhatsApp, nesse meio tempo convidei ele pra ir em balada e nada, festa de aniversário de amigos e nada, cinema, restaurante, enfim tínhamos nos tornado melhores amigos já sem ao menos nos vermos…  Até q um dia eu estava em outra cidade e ele me resolve chamar para sair, nos conhecer hahaha marcamos para a noite, sai correndo da outra cidade, marcamos em um parque, aí cheguei lá ele estava me esperando, mas por fim ele acabou conhecendo todos meus amigos pq descemos todos juntos com bebidas e tals hahaha.

Depois disso começamos a sair, sem algo sério apenas as pq nos curtimos, mas o amor foi mais forte e em 20 dias saindo assumimos o namoro e abandonamos os outros rolos haha e com 4 meses de namoro noivamos, ele é músico,  todos aqui conhecem ele, e ele se assumiu, pra família primeiro q nos aceitam muito bem, sou tratado como um filho por eles, e para os amigos e conhecidos, alguns deram força, outros se afastaram mas isso é natural (…)”.

  1. Se pudessem dar um conselho para as pessoas que buscam encontrar alguém especial qual seria? 

Cleverson: “meu conselho para as pessoas q buscam alguém só tenho a dizer q não deixem perder sua essência,  não se vulgarizem nesses apps,  sejam vocês que alguém vai gostar de você do jeito q você é…  Diversão é bom, claro,  mas sempre esteja aberto para novos amores.”

  1. Vocês acreditam que os aplicativos trazem um certo distanciamento real entre as pessoas ou eles cooperam para juntar as mesmas em um futuro próximo? 

Cleverson: “eu sou prova viva que os aplicativos funcionam, porque um hétero pode paquerar no metrô ou no ônibus, na academia, no trabalho, na balada… Os homossexuais só tem as baladas para encontrar alguém,  então acho que os apps facilitaram muito para q esses encontros possam acontecer com mais frequência,  porque o meu noivo eu nunca ia encontrar em uma balada gay, porque ele não era assumido, então não acho que pessoas que usam são vazias, ou estão apenas em busca de sexo, acho que isso tem em qualquer lugar, basta saber filtrar o quer realmente quer e busca para você.”

CASAL 2 – Fernanda Calero e Diego Carvalho / INSTAGRAM: @fernadacalero_ e @diego_carvalho

  1. Vocês usaram o aplicativo com pensamento de encontrar alguém que pudesse ser especial?

Fernanda: “Na verdade, ambos tinham terminado com seus respectivos ‘ex’. Eu há quase 1 mês e ele há uns 7 meses. 

Tínhamos o intuído de pegação apenas. Não queríamos nos envolver, apenas um lance de algumas noites e fim. Juro que não queria nada sério, mas a porra foi ficando séria e mesmo sem querer admitir eu sabia que ele era o cara certo. Depois de 3 meses saindo quase todo fim de semana, o pedido de namoro foi em uma balada, numa fábrica abandonada ao som de Strokes – You Only Live Once. O namoro tinha que começar em grande estilo, afinal o primeiro encontro foi em uma balada, na Lab, Augusta, nosso lugar preferido.”

  1. Como foi o encontro de vocês no aplicativo?

Fernanda: “Eu o vi primeiro e curti! E depois de algumas horas veio a confirmação do ‘match’ (<3).”

  1. Depois de quanto tempo vocês decidiram marcar um encontro?

Fernanda: “Nos conhecemos numa quinta e marcamos o encontro para o sábado! Aproveitei que seria aniversário de uma amiga, seria numa balada na Augusta, ai unimos o útil ao agradável! Ele foi sozinho (corajoso) e eu com os meus amigos. 

Marcamos de nos encontrar na Paulista, esquina com Augusta. Sai do metrô e logo o vi na multidão. Fui até ele, nos abraçamos, trocamos sorrisos e descemos a rua até o lugar combinado. 

Depois que entramos, pegamos uma bebida. Uma de minhas amigas sugeriu para que todos descessem até a pista de baixo, mas só nós dois fomos. A música era muito boa, mas eu só consigo lembrar do beijo que ele me deu logo que entramos na pista de dança.

Durante a noite toda, eu só conseguia pensar que aquele encontro não era por acaso e que eu precisava daquele cara, talvez pra sempre ou só por mais uma noite.. Isso o destino que ia me dizer.

A balada acabou, o álcool já tava no sangue e subimos a rua trocando beijos, olhares e carinhos. E ele não parava de repetir: “Não suma, por favor, preciso te ver de novo!”

Nos despedimos no metro e cada um foi para suas respectivas casas.

Chegando em cara, recebi várias mensagens daquele moço, me pedindo pra não sair fácil da vida dele.

Pois é.. sai de casa querendo causar, mas no final meu coração queria ficar com ele, mesmo eu não querendo admitir.”

  1. Se pudessem dar um conselho para as pessoas que buscam encontrar alguém especial qual seria?

Fernanda: “Não tenham medo, sejam vocês mesmos. Não temos que fingir ser o que não somos.

Nosso relacionamento completa 1 ano em novembro, 1 ano de amor, sinceridade e muito carinho! Acredito que só chegamos aqui pois a nossa receita foi colocar verdade em todas as nossas atitudes.

É mito, essa coisa que um casal não possa dar certo se conhecendo através do mundo virtual.”

Diego: “Não aposte todas suas fichas no ambiente virtual, use ele para encurtar a distância para um encontro real.”

  1. Vocês acreditam que os aplicativos trazem um certo distanciamento real entre as pessoas ou eles cooperam para juntar as mesmas em um futuro próximo?

Fernanda: “Depende do seu objetivo, quando há vontade de ambas as partes, tudo é possível! 

O distanciamento virtual serve para dar um espaço para que duas pessoas se conheçam. Se os dois se curtiram, o próximo passo é o encontro! Se há resistência em marcar um encontro, ou desapega ou chama o ‘Catch Fish’ hahahaha.”

CASAL 3 – Karen Caroline e André Montesante / INSTAGRAM @akahcaroline

  1. Vocês usaram o aplicativo com pensamento de encontrar alguém que pudesse ser especial?

Karen: “Sim.”

  1. Como foi o encontro de vocês no aplicativo?

Karen: “Curtimos o perfil um do outro e ele logo em seguida veio falar comigo e desde então não paramos mais de nos falar.”

  1. Depois de quanto tempo vocês decidiram marcar um encontro?

Karen: “Uma semana.”

  1. Se pudessem dar um conselho para as pessoas que buscam encontrar alguém especial qual seria?

Karen: “Se joga! hahahaha. É difícil demais encontrar alguém que seja realmente especial,  mas não é impossível.”

  1. Vocês acreditam que os aplicativos trazem um certo distanciamento real entre as pessoas ou eles cooperam para juntar as mesmas em um futuro próximo?

Karen: “Acredito que podem ajudar a aproximar as pessoas sim.”

USUÁRIA Paola A. Cat utiliza os apps e também respondeu nosso questionário! / INSTAGRAM @paolacat_

  1. O que faz você gostar do aplicativo de relacionamento?

“Quando não tenho o que fazer, bem pra passar o tempo mesmo.”

  1. Já saiu com alguém através dele?

“Sim.”

  1. Você sempre toma atitude de conversar ou sempre espera pelo outro?

“Sempre espero pelo outro, mas se for MUITO boy magia dou o ar da graça HAHAHAHA.”

  1. O que você acha das “NUDES” nos aplicativos? Prejudica o bom relacionamento?

“Cada um faz o que quer né, mas melhor mostrar ao vivo do que foto… Acho que vai do caráter e respeito da pessoa quanto prejudicar o relacionamento, vai que é daquelas que sai ‘printando’ o nudes e mostra ‘prazamiga’?”

  1. Se pudesse dar um conselho para quem utiliza os aplicativos qual seria?

“Para de ficar escrevendo Bio, sério. Assim não dá pra te defender. ‘Seje menas’ e ‘porfa’, todas as fotos só dos músculos na academia não lhe farão mais interessante que os outros.”

 

USUÁRIO Vinícius Bocato também utiliza alguns aplicativos de relacionamento e nos conta como é sua experiência. / INSTAGRAM @vezon

  1. O que faz você gostar do aplicativo de relacionamento?

“Tem aplicativos e aplicativos… Gosto bastante do Happn, que mostra pessoas que ‘cruzaram’ com você e ainda tem um detalhamento legal da pessoa (bio, profissão, onde você ‘cruzou’ com ela, gostos musicais). O Tinder continua bom, até evoluiu (integração com Instagram, Super Like, etc), mas outros como Grindr e Hornet são muito apelativos, a maioria está ali exclusivamente por sexo e a conversa não foge disso. Se esse é o único objetivo da pessoa, beleza, mas não é o que eu busco. Gosto do Tinder e do Happn pela praticidade, mas também por conhecer minimamente a pessoa com quem estou falando.”

  1. Já saiu com alguém através dele?

“Já saí com alguns caras nos últimos dois anos, não lembro exatamente quantos. Mas para conhecer pessoalmente eu converso bastante antes. Geralmente peço Whatsapp e/ou Facebook antes de sair com alguém.”

  1. Você sempre toma atitude de conversar ou sempre espera pelo outro?

“Depende do meu grau de interesse. Quando acho interessante, faço questão de tomar a iniciativa hahaha.”

  1. O que você acha das “NUDES” nos aplicativos? Prejudica o bom relacionamento?

“Não acho que prejudica, mas tem que ter um meio termo. Algumas pessoas viciam em mandar e receber nudes; é bom vez ou outra, mas é melhor pessoalmente. :)”

  1. Se pudesse dar um conselho para quem utiliza os aplicativos qual seria?

“Tenha em mente qual seu objetivo no app e deixe claro pra outra pessoa. Os dois têm que ter noção que aquele é um aplicativo de paquera/pegação. Pode ser que você encontre alguém muito legal e até comece a namorar. Mas calma, né? Conheci boys que mal davam match e já falavam comigo como se estivéssemos em um relacionamento… “Seje menas!”

E por fim: é importante saber minimamente sobre a pessoa antes de conhecer pessoalmente. Mas tem que ter iniciativa, não pode deixar a coisa esfriar. A coisa mais chata é quando você tem vários matches, mas não rola nada na ‘vida real’. ;)”

USUÁRIO Itallo Santos não tem muito amor por aplicativos e deixou sua opinião claro! / INSTAGRAM @sritallo

  1. Qual foi a situação que mais te irritou?

“A situação que mais me irritou foi quando eu encontrei pessoas conhecidas no aplicativo.”

  1. O que falta nos usuários desses aplicativos?

“Falta educação,caráter e compreensão.”

  1. Já saiu com alguém que conversou no “APP”?

“Sim, mais de três!”

  1. Se pudesse dar um conselho/crítica para quem utiliza esses aplicativos qual seria?

“Não saia com o primeiro que aparecer, seja cuidadoso com quem conversa.”

  1. Você acredita que um casal pode ter um bom relacionamento quando tudo começou em um aplicativo?

“Depende muito de cada um, mas no geral não. Pois todos que estão ali só querem sexo fácil!!”

 

A usuária Aline Mota também não teve muita sorte com os seus contatos, veja! / INSTAGRAM @alinxmota

  1. Qual foi a situação que mais te irritou?

“As situações que mais me irritavam eram quando os caras não falavam o que queriam e sim ficavam enrolando até conseguirem, quando conseguiam paravam de falar.”

  1. O que falta nos usuários desses aplicativos?

“Bom senso e empatia.”

  1. Já saiu com alguém que conversou no “APP”?

“Várias vezes.”

  1. Se pudesse dar um conselho/crítica para quem utiliza esses aplicativos qual seria?

“Jamais se apegar e saber quais são as intenções do outro.”

  1. Você acredita que um casal pode ter um bom relacionamento quando tudo começou em um aplicativo?

“Acredito que sim quando os dois querem a mesma coisa e excluem o app quando se torna algo sério, pois acredito que não é necessário ter o app de relacionamento quando já se tem um.”

Nossa Opinião

A tecnologia facilita muito a nossa vida, encontros e trabalhos. Afinal, esta ferramenta esta presente no nosso dia a dia como blogueiro. Mas, quando isso tira a realidade de você algo está errado. Os aplicativos de relacionamento nos ajudam a encontrar pessoas que estão do outro lado da cidade e muitas das vezes até pessoas que estão super perto e nunca nos relacionamos. Como vimos no bate papo com alguns usuários, cada caso é um caso. O cuidado é muito importante, assim como existem todo tipo de pessoas no mundo real, no mundo virtual também. Cada um faz o que quer e procura o que quer. Ter um aplicativo só por ter não faz sentido. Acumular “matchs” e likes não tem muita lógica. O “oi, oi” não sai disso e o intuito do “app” morre ali. Cabe a cada um de nós manter uma relação com alguém, é papel para ambas as partes, seja ele virtual ou físico. E sem paranoia hein. Ninguém tem obrigação de falar com você 24 horas por dia. Tem usuários que simplesmente não toleram 5 minutos de espera em troca de mensagens. Outro fato é sempre responsabilizar o outro na conversa, sempre esperar que o seu companheiro mande uma mensagem ou demonstre interesse, em qualquer comunicação o interesse deve ser mútuo. Não conversa duas pessoas se uma não quer, anote essa regra.

Alguns usuários são bem sentimentais. O desespero é tanto que qualquer coisa é motivo para eu não falar mais com um cara e já trocar para outro que acabou de curtir o meu momento no “Tinder”. A carência também não pode interferir na conversa, encontramos alguns casos que ficaram ‘off’ de pessoas que simplesmente acharam que estavam namorando só porque a pessoa mandou um ‘Bom Dia’ logo de manhã, já falam que estão amando ou que encontraram a pessoa perfeita. A segunda regra é que ninguém é perfeito e a terceira é que não existe relacionamento perfeito. A maturidade é um dos pilares nessas relações e o ‘Mundo de Alice’ é só nos desenhos.

Então vamos usar os aplicativos com o pensamento de criar relacionamentos e chances de novas pessoas na nossa vida, seja para amizade ou para namoro. Estabelecer uma regra para o “app” não te ajudará em nada, apenas fará você cobrar uma coisa de alguém que não esta cem por cento disposto para isso. Sabe o pagode “deixa acontecer naturalmente”? Aplica isso que tudo melhorará.

 

Concorda ou discorda? Tem uma experiência para dividir conosco? Não se intimide não! Participa, os leitores e toda equipe do Blog estão loucos para saberem sua opinião!