Com produção repleta de referências religiosas, longa segue  ritmo intenso e visceral.


 

Nesta quinta-feira (21) fomos ao cinema conferir a estreia do filme “Mãe!”, do diretor Darren Aronofky, aclamado pelo grande sucesso de “Cisne Negro”.

A sinopse é vaga e não nos revela praticamente nada que possa servir de spoiler:

O casal (Jennifer Lawrence e Javier Bardem) vive em paz em sua casa até que visitas inesperadas (Michelle Pfeiffer e Ed Harris) surgem para testar a relação,  perturbando  a tranquilidade e harmonia do lar. O lar em questão é uma casa enorme que tem sido reformada após um grave incêndio, tarefa que a protagonista exerce com dedicação, afim de proporcionar ao marido um ambiente acolhedor e que o ajude a resgatar a inspiração, já que é escritor.

Nas primeiras cenas acompanhamos a protagonista andando pelos cômodos da casa, e o filme já vai apresentando o teor minimalista do cenário, mostrando que o foco do diretor consiste  na expressão dos personagens e a sequência de acontecimentos regados a sustos e tensão do início ao fim.

O filme todo é focado principalmente no rosto da atriz Jennifer Lawrence, em grandes closes de sorrisos tímidos, pavor e impotência.

O clima traz uma inquietude constante, que tende a evoluir muito nas cenas que encaminham para o final do longa. É importante ressaltar que nenhum dos personagens têm nome, mais uma prova de que o filme é muito mais representativo do que literal.

O longa de terror psicológico vai se desdobrando de tal forma que somos levados a uma sequência frenética de acontecimentos bizarros e cenas que contrastam muito com a solidão apresentada no início da produção. Diversas vezes chegamos a questionar se as cenas estão de fato acontecendo ou são alucinações da personagem que não consegue lidar com seus próprios fantasmas. O mérito é todo da atriz, que entrega um ótimo trabalho envolvendo o público e guiando a perspectiva da história a partir do seu olhar.

Temos a sensação de percorrer uma trajetória milenar em poucos minutos, em cenas dignas de filmes de guerra e caos,  banhadas de claras referências bíblicas que foram trabalhadas de forma muito visceral, o que têm dividido opiniões e feito os espectadores mundo a fora refletirem algum tempo após saírem confusos da sala de cinema. E essa foi justamente a intenção do diretor, que afirmou que “os melhores filmes são os que você continua falando após a sessão”, e somos obrigados a concordar.

O fato é que Mãe! pode ser tudo, menos irrelevante, e diante de tantas possíveis interpretações, só pude pensar que o filme é uma grande crítica ao papel da mulher, sua vocação como mãe que exige entrega e doação, no seu significado mais intenso, de corpo, alma e coração.

Mistério envolvente
História muito interessanteBons sustosCenas de tirar o fôlegoTerror psicológico
Algumas cenas fora do contextoAcontecimentos confusos
8.5Filme intrigante
Atuação10
História8
Trilha Sonora7
Direção9
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