Filme explora terror intimista


Sucesso de bilheteria e crítica com impressionante nota de  99% de aprovação no site Rotten Tomatoes, “Get Out!” (Corra!), já era um filme muito aguardado aqui no Brasil, só pelo burburinho que causou nos Estados Unidos.

Filmado no Alabama em apenas 28 dias, o longa contou com um orçamento de estimado em US$ 4,5 milhões. Mas, só nos EUA, em seu fim de semana de estreia, o filme já tinha arrecadado US$ 33,3 milhões!
Produzido pela Blumhouse, responsável por sucessos como Fragmentado, A Visita e a série Atividade Paranormal, a estreia do comediante Jordan Peele como diretor, tem causado um buzz enorme como a algum tempo não se via em torno do gênero de terror.
A ideia do roteiro veio de um stand up de Eddie Murphy contando como foi conhecer os pais brancos de sua namorada. Peele assistiu e achou que daria uma boa história. Precisamos concordar que deu sim!
O filme começa leve e descontraído, levado pelo enredo provavelmente típico de todo casal inter-racial: o momento de conhecer a família, após uma certa estabilidade do relacionamento.
Neste cenário, o fotógrafo Chris é convidado pela namorada a visitar os pais que vivem em uma luxuosa casa no interior dos Estados Unidos.
(Logo de cara já encontramos um rosto conhecido: Daniel Kaluuya, teve seu primeiro grande papel em Black Mirror, em um dos episódios mais perturbadores da série).
 
Antes mesmo de chegarem ao destino, o casal já é surpreendido por uma cena infelizmente clichê, de racismo por parte de uma autoridade policial, e vamos entendendo que essa é só a ponta do iceberg que está por vir.
Chegando na casa da família, Chris já percebe que aparentemente os únicos negros do bairro são empregados, apesar das explicações dadas pelos pais da garota, que fazem de tudo para agirem naturalmente e fazerem uma boa recepção ao convidado.
O filme funciona como uma grande crítica ao racismo, e talvez pela primeira vez essa questão tenha sido trabalhada dessa forma.
Logo de cara já encontramos um rosto conhecido: Dan
“Eu queria contribuir com algo ao gênero de thriller e horror com o meu toque. Definitivamente é como os EUA lidam com o racismo e a ideia de que racismo em si é um demônio” –  diz Jordan Peele.
As cenas de maior destaque ficam justamente a cargo dos empregados da casa, com suas expressões quase robóticas e olhares que parecem pedir socorro sem dizer uma palavra.
Rod, policial e melhor amigo de Chris, traz a pitada de humor ao filme, se mostrando desconfiado desde o início acerca do bairro a qual o amigo vai visitar.
Inclusive, o ator Lil Rel Howery foi vencedor do prêmio a que concorrida na categoria de Melhor Atuação Cômica na edição deste ano do MTV Movie Awards.
Desde o filme A Bruxa,  já observamos que a tendência dos filmes de terror têm mudado, caminhando mais para a sensação de inquietação e desconforto do que cenas de susto propriamente ditas, e é exatamente este o ponto que Corra! pretende alcançar.
Aos poucos vamos nos ambientando ao bairro, e a casa da família, e assim como Chris, notando que algo de muito estranho acontece por ali.
Os comentários das pessoas na festa promovida pela família chegam a beirar o humor, e a reação de Chris funciona como a resposta a uma piada sem graça.
O filme é mesmo um tapa na cara desde o início, primeiramente por trazer um negro como protagonista que não se coloca no papel de vítima, e nem de forma caricata. As respostas vão sendo dadas da mesma forma, como um tapa na cara, e quanto mais se explica, mas bizarra a história fica.

Apesar dos elogios e do filme ter se tornado o mais novo queridinho da crítica, é possível que você saia com a sensação de ter levado as expectativas lá encima e de repente se decepcionar no final das contas com o desenrolar dos acontecimentos. Mas sugerimos que se permita explorar esse novo olhar do cinema, e ver se gosta deste formato mais inteligente, psicológico, e menos sangrento de aterrorizar.